Ser a região mais bem sucedida do mundo em 2010 é o objectivo da Estratégia de Lisboa que, seguramente, não será alcançado. Os 27 decidiram, então, prosseguir por mais dez anos o desenvolvimento de um novo modelo de crescimento. A conjuntura, porém, é ainda menos favorável.Um artigo do " Il Sole-24 Ore" citado pelo Presseurop.eu . Pleno emprego de 70% da população activa, investimentos em I&D na ordem dos 3% do PIB, crescimento económico de 3% ao ano: eram estes os grandes objectivos da Estratégia de Lisboa, lançada em 2000, com um longo percurso de uma década. O prazo terminou e o desafio europeu vai coroar-se de fracasso. Nem o mais leve vestígio da economia do conhecimento para 2010, "a mais dinâmica e competitiva do mundo". Em dez anos, a subida do emprego não ultrapassou os 4 pontos percentuais, abaixo da média de 66%.
Investimento metade do previsto
Os investimentos em I&D são ligeiramente inferiores (metade dos previstos) e continuam distantes dos investimentos dos principais concorrentes mundiais. Devido à crise, a taxa de crescimento baixou para uma média de 0,8%, com consequências desastrosas para a taxa de desemprego que, no entanto, regrediu - de 12 para 7% desde 2000 -, mas que a recessão se prepara para fazer subir de novo para cerca de 10%. Que fazer? Não vale a pena uma pessoa martirizar-se. O período de optimismo que, no limiar do século, se alimentava de êxitos inegáveis, como a criação do Mercado Único e do Euro, está mais do que encerrado.
China ganha a aposta
Hoje, avançamos sob a égide do realismo. O mundo mudou, a globalização avança. Pior, e para surpresa de todos, foi a China que ganhou a aposta feita, em vão, pela Europa que, no entanto, não desiste. O novo símbolo, sem nome, não é o da capital portuguesa. Desta vez é uma data, "2020", talvez na esperança de rivalizar com "1992", o slogan do Mercado Único.
Leia mais em Presseurop.eu
http://aeiou.expresso.pt/em-2020-seremos-ricos=f556785
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sábado, 9 de janeiro de 2010
Balanço- Década perdida na criação de emprego
Portugal tem o pior desempenho da Zona Euro. Perspectivas a médio prazo não são as melhores
Portugal deverá encerrar a década com um crescimento médio anual do número de empregados próximo de zero (0,2%). A avaliar pelos dados da Comissão Europeia - que prevê um recuo no número de postos de trabalho de 2,3% em 2009 -, este será o desempenho mais fraco de todos os países da Zona Euro (ver gráfico).
Os dados da AMECO, apurados através das contas nacionais, revelam que em 2009 Portugal deverá registar 5,029 milhões de postos de trabalho, com o emprego a recuar para níveis de 2000.
A mais recente crise económica e financeira é responsável por parte das perdas registadas, mas não explica a posição relativa do País. Espanha está a ser mais severamente afectada pela actual recessão - com taxas de desemprego a caminho dos 20% -, mas consegue, no conjunto da década, o terceiro melhor desempenho da Zona Euro. A prosperidade dos primeiros anos mais do que compensa o recuo de 6,6% no número de empregos que o país vizinho deverá registar em 2009.
"O mercado de trabalho reflecte o facto de termos tido pior desempenho em termos de crescimento de produto", refere Nádia Simões, do Observatório Europeu do Emprego. Para a investigadora, a crise de 2003 foi determinante para este resultado, tal como o processo de consolidação orçamental. "Se reduzimos a despesa pública retirando estímulos à economia, afectamos a criação de emprego também no sector privado."
Portugal "partia de uma base exportadora frágil" e de "uma situação delicada do ponto de vista das qualificações", lembra, por seu lado, Pedro Adão e Silva. "O nosso padrão de especialização e de emprego não resistiu à exposição da economia à entrada do Euro", refere o especialista em questões laborais.
O processo de requalificação que começava a registar-se foi interrompido pela crise internacional, acrescenta. "As mudanças necessárias para recalibrar o mercado de emprego demoram tempo, o que muitas vezes não é compaginável com a pressão política, económica e social", afirma.
Os dados de Bruxelas - que se baseiam em informação enviada pelos Estados membros - revelam que no conjunto dos 27 países da UE há apenas quatro com pior desempenho que Portugal. É o caso da Estónia (0,17%), mas também da Roménia, Lituânia e Hungria, que deverão encerrar 2009 com menos postos de trabalho do que os que tinham em 1999.
No conjunto da Zona Euro e da União Europeia, 2009 será o único ano em que o emprego recua, de acordo com os dados da Comissão Europeia. Já Portugal apresenta quebras em quatro dos dez anos considerados, numa década em que o crescimento do produto interno bruto (PIB) também é dos mais moderados.
Os próximos dez anos não serão necessariamente mais fáceis. Entre 2009 e 2017, o crescimento potencial do emprego em Portugal é de 0%, prevê a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), no último Economic Outlook. "Podemos continuar a tentar acrescentar valor, mas o ritmo não vai chegar para compensar a pressão sobre o mercado de trabalho e as contas públicas", refere Pedro Adão e Silva. "Algum tipo de ajustamento será feito: ou emprego, ou salários."
http://dn.sapo.pt/bolsa/emprego/interior.aspx?content_id=1464511
Portugal deverá encerrar a década com um crescimento médio anual do número de empregados próximo de zero (0,2%). A avaliar pelos dados da Comissão Europeia - que prevê um recuo no número de postos de trabalho de 2,3% em 2009 -, este será o desempenho mais fraco de todos os países da Zona Euro (ver gráfico).
Os dados da AMECO, apurados através das contas nacionais, revelam que em 2009 Portugal deverá registar 5,029 milhões de postos de trabalho, com o emprego a recuar para níveis de 2000.
A mais recente crise económica e financeira é responsável por parte das perdas registadas, mas não explica a posição relativa do País. Espanha está a ser mais severamente afectada pela actual recessão - com taxas de desemprego a caminho dos 20% -, mas consegue, no conjunto da década, o terceiro melhor desempenho da Zona Euro. A prosperidade dos primeiros anos mais do que compensa o recuo de 6,6% no número de empregos que o país vizinho deverá registar em 2009.
"O mercado de trabalho reflecte o facto de termos tido pior desempenho em termos de crescimento de produto", refere Nádia Simões, do Observatório Europeu do Emprego. Para a investigadora, a crise de 2003 foi determinante para este resultado, tal como o processo de consolidação orçamental. "Se reduzimos a despesa pública retirando estímulos à economia, afectamos a criação de emprego também no sector privado."
Portugal "partia de uma base exportadora frágil" e de "uma situação delicada do ponto de vista das qualificações", lembra, por seu lado, Pedro Adão e Silva. "O nosso padrão de especialização e de emprego não resistiu à exposição da economia à entrada do Euro", refere o especialista em questões laborais.
O processo de requalificação que começava a registar-se foi interrompido pela crise internacional, acrescenta. "As mudanças necessárias para recalibrar o mercado de emprego demoram tempo, o que muitas vezes não é compaginável com a pressão política, económica e social", afirma.
Os dados de Bruxelas - que se baseiam em informação enviada pelos Estados membros - revelam que no conjunto dos 27 países da UE há apenas quatro com pior desempenho que Portugal. É o caso da Estónia (0,17%), mas também da Roménia, Lituânia e Hungria, que deverão encerrar 2009 com menos postos de trabalho do que os que tinham em 1999.
No conjunto da Zona Euro e da União Europeia, 2009 será o único ano em que o emprego recua, de acordo com os dados da Comissão Europeia. Já Portugal apresenta quebras em quatro dos dez anos considerados, numa década em que o crescimento do produto interno bruto (PIB) também é dos mais moderados.
Os próximos dez anos não serão necessariamente mais fáceis. Entre 2009 e 2017, o crescimento potencial do emprego em Portugal é de 0%, prevê a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), no último Economic Outlook. "Podemos continuar a tentar acrescentar valor, mas o ritmo não vai chegar para compensar a pressão sobre o mercado de trabalho e as contas públicas", refere Pedro Adão e Silva. "Algum tipo de ajustamento será feito: ou emprego, ou salários."
http://dn.sapo.pt/bolsa/emprego/interior.aspx?content_id=1464511
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