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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

PREÇOS NAS NUVENS - Desvalorização acelerará inflação na Venezuela, dizem analistas

Publicada em 10/01/2010 às 12h52m -AP


CARACAS - Com a desvalorização do bolivar, a inflação ao fim do ano registrará uma forte alta, preveem analistas diante da decisão do presidente Hugo Chávez de desvalorizar a moeda na Venezuela pela primeira vez em quase cinco anos . O economista Pedro Palma, presidente da Academia Nacional de Ciências Econômicas, disse que o governo se viu forçado a aceitar que a grande disparidade entre o câmbio oficial e o paralelo já não era viável.


- A inflação vai disparar, mas há a necessidade de corrigir um desequilíbrio acumulado tremendo - disse Palma. - Creio que o governo teve que aceitar é que esta distorção cambial já não podia se sustentar, é
absurda - completou o economista. O governo estabeleceu sexta-feira à noite um tipo de câmbio, com duas cotações distintas, para incrementar as receitas do governo pela venda do petróleo e contra-atacar a inflação galopante. O bolívar, cotado oficialmente a cerca de 2,15 por dólar, a partir de agora terá dois tipos de câmbio, em função do uso: 2,60 por dólar para as transações consideradas como prioritárias pelo governo, como a importação de alimentos e saúde, e 4,30 por dólar para outras transações. O ministro de Finanças, Alí Rodríguez, descartou que a desvalorização vá afetar o comportamento dos preços dos principais bens e serviços de consumo de massa. O Índice Nacional de Preços fechou o ano de 2009 em 25,1%, o que converteu a Venezuela no país com a maior taxa de inflação na região pelo quarto ano consecutivo. O economista Orlando Ochoa disse que a desvalorização permitirá ''melhorar a situação financeira do governo'', com a obtenção de mais recursos pelas exportações de petróleo bruto e espera impulsionar a economia. Depois de quase cinco anos de crescimento contínuo, a economia venezuelana experimentou em 2009 um forte retrocesso, ao registrar uma queda de 2,9%. O petróleo, que significa 50% da arrecadação de impostos, reduziu-se à metade entre o fim de 2008 e o primeiro semestre de 2009, devido à queda dos preços internacionais do petróleo bruto e a diminuição da produção. A Venezuela mantém uma forte dependência do petróleo, que gera 94 de cada 100 dólares que ingressam no país por exportações.
- Desvalorizou-se o nível de vida dos venezuelanos, que amanheceram com o salário mínimo reduzido à metade - disse o prefeito de Caracas, da oposição, Antonio Ledezma. Antes da desvalorização, o salário mínimo era de aproximadamente 450 dólares por mês. Noel Alvarez, presidente da maior associação empresarial, a Fedecámaras, classificou o câmbio duplo como "uma medida positiva", mas acrescentou que "não constitui por si só uma virada acertada de política econômica", uma vez que consolida o controle de câmbio, medida que demonstrou sua ineficiência no controle da inflação. Chávez comentou, no sábado, que espera que a produtividade se eleve, à medida que as importações se tornam mais caras. - Por anos 'vendemos os dólares muito baratos, e isto estimulava as importações, que representam uma competição desleal por seu baixo custo. Com esta medida, obriga-se o setor produtivo a aumentar a produtividade e o setor comercial local a substituir importações - acrescentou ele, que citou como exemplo a importação de sapatos. - No ano passado, importamos 90 milhões de pares de sapatos, pelo amor de Deus!, porque sai muito barato. Não podemos fazer tudo isto, os sapatos, a roupa, quase tudo é importado.E concluiu:
- Só para importar alimentos, a Cadivi (oficina governamental que administra a venda de divisas) deu mais de US$ 6 bilhões. Boa parte destes alimentos podemos produzir na Venezuela. A desvalorização encareceu a compra de divisas para os venezuelanos em 20% ou 100%, dependendo de qual dos dois tipos de câmbio se utilize. O líder esquerdista ratificou sua intenção de intervir no lucrativo mercado negro paralelo, onde quase se chegou a triplicar a taxa de câmbio oficial.
- Esse ''dólar permuta", que é produto da especulação financeira, vamos combater com uma forte intervenção do Banco Central e do governo. Este é o quarto ajuste de câmbio que o governo de Chávez realiza desde que impôs o controle de câmbios, em 2003, para conter a fuga em massa de capitais. O câmbio de 2,60 por dólar será destinado às transações relacionadas com os bens dos setores alimentício, de saúde, de maquinário e equipes para o desenvolvimento econômico, científico e tecnológico, assim como livros e material escolar. Também se incluiu nesta cotização as importações do setor público, remessas familiares, remessas para estudantes no exterior, embaixadas e consulados na Venezuela, e pensionistas. Outros setores, como o automotivo, comércio, telecomunicações, metalúrgico, informático e borracha e plástico, eletrodoméstico, cigarro e bebidas foram cotizados a 4,30 bolívares por dólar.
- Quase tudo vai custar o dobro - insistiu Ledezma.
Dezenas de venezuelanos podiam se vistos no sábado nas portas das lojas de eletrodomésticos tentando comprar de geladeiras a equipamentos de som, segundo eles, antes que os preços dobrem.
- Isto é uma loucura. Quando soube do que houve com o dólar, não pensei duas vezes: raspei minha conta bancária e vim comprar minha máquina de lavar - disse Iraima Rodríguez, uma secretária de 31 anos. - Sempre que desvalorizam os preços vão às nuvens.
http://oglobo.globo.com/economia/mat/2010/01/10/desvalorizacao-acelerara-inflacao-na-venezuela-dizem-analistas-915497329.asp
http://oglobo.globo.com/economia/fotogaleria/2010/10729/

Material escolar sobe quase dobro da inflação em São Paulo

10 de janeiro de 2010 às 17:56
Por Ricardo Westin - Folha OnlineA-A+


Pais de alunos que estudam em escolas particulares na cidade de São Paulo vão gastar muito mais na compra de material escolar e livros didáticos neste ano. Só nesse último item, os gastos com apenas um filho podem passar de R$ 1.200. O preço do material escolar subiu quase o dobro da inflação. Enquanto o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) de janeiro a dezembro de 2009 foi de 3,65%, produtos como lápis, canetas, cadernos e mochilas ficaram em média 6,61% mais caros no mesmo período.


No caso dos livros escolares, o aumento médio registrado no ano passado foi um pouco menor, mas ainda assim ficou acima do IPC --4,47%. Esse índice de inflação é apurado pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). A Folha consultou as listas de livros pedidos por alguns colégios de São Paulo e constatou que as famílias chegam a desembolsar R$ 1.234,40 com um filho no primeiro ano do ensino médio. Um livro de biologia para esse aluno, por exemplo, custa hoje R$ 115. Dois anos atrás, na mesma livraria, saía por R$ 95,80. O aumento foi de 20%.


"Imagine uma casa com dois filhos estudando em escola particular. Isso pesa uma barbaridade no orçamento familiar", afirma Heron do Carmo, professor de economia da USP e pesquisador da Fipe.

Para completar as subidas de preço na educação, as mensalidades escolares em São Paulo também tiveram um reajuste muito maior que a inflação. No caso do ensino infantil, o aumento em 2009 foi, em média, de 8,66%. Até os cursos de línguas tiveram aumento superior à inflação (7,58%).


Dicas de economia
A Folha entrou em contato com fabricantes de papel e lápis e com a Abrelivros (associação de editoras de livros escolares), mas não encontrou funcionários que pudessem comentar o aumento nos preços. "Esse não é um aumento natural", explica a economista Julia Ximenes, da Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo). Se o reajuste fosse natural, diz ela, todas as papelarias aumentariam juntas os preços. 'Se fizer uma pesquisa de preços, você vai encontrar diferenças gritantes dentro da mesma cidade, diferenças de até 200% num mesmo produto.' De acordo com Ximenes, o encarecimento do material didático é sazonal. Está praticamente todo concentrado no mês de janeiro. Nos 11 meses seguintes, os aumentos são quase imperceptíveis. "Eles sabem que inevitavelmente vai haver procura, então aumentam o preço mesmo."


A economista da Fecomercio sugere às famílias que tentem reaproveitar parte do material utilizado no ano anterior, como caneta, cola e régua, e que façam uma pesquisa de preços antes de comprar. 'Inclusive na internet. As lojas virtuais costumam ter um preço mais competitivo porque têm menos custos.' Além disso, ela acrescenta, pode ser vantajoso deixar para comprar parte do material em fevereiro, "fora do período de euforia, quando costuma haver uma arrefecida" nos preços.


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u676316.shtml